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explodi com tanta fofura do segundo gif


Hoje eu vou me lembrar de você, de todas as nossas pequenas coisas, dos nossos beijos, dos nossos temakis de camarão empanado com cream cheese (sem cebolinha), da nossa vontade de só ficar em casa, do bafinho na hora de acordar, do pescoço pra respirar, da sua mão na minha orelha, do sufresh de maçã, da TPM…,do dia 27, de todas as brigas por coisa nenhuma, do dia em que voce caiu no parque, daquela pequena cidade com 8 mil habitantes, da sua semana de provas, da bronca por causa do tapete no banheiro, da bronca por deixar a pasta de dentes sem tampa, da bronca por bagunçar a casa, da bronca por só te dar bronca, do trailer à noite na praia, dos seus planos tão quantificados, dos meus planos tão desqualificados, da sua perna na minha, do 16º andar, do matadouro assombrado, do clareamento nos seus dentes, do açaí com leite ninho, do Crocs sujo, da sua cistite, do sabonete de melancia, do seu shorts manchado (propositadamente) de Cândida, da sua geladeira, das xícaras pras minhas lentes, da “Meia-Noite em Paris”, daquele “Um Dia”, do “Cão e a Raposa”, do “Faça e Disfarça”, do boo, do lençol sujo, do stop no carro, do seu cabelo, da sua pele… Hoje eu vou me lembrar de você.
— Lucas Kobayashi

O que esqueceram de nos avisar sobre o amor.
Se apaixonar é a reação mais mágica que existe nos nossos corpos. Não somos mais nós mesmas, não é? Digo, você enxerga, sim, mas não consegue VER o cara. Você o vê na resolução mais linda possível enquanto o resto do mundo tá desfocado. Ele é photoshopado até o último fio de cabelo, nas cores mais interessantes possíveis e o amigo do lado tá pintado de bozo com o bigodinho suado, pra você. É, nojento – mas é a mais pura realidade. Daí começa a palhaçada. “hey, I just met you…” (brincadeirinha hihi) Você não vai prestar atenção em nenhuma conversa como prestaria se ele não estivesse por ali, porque a necessidade de se dividir entre o que a amiga tá falando e a quantidade de vezes que ele respira vira essencial. Você vai pensar duas vezes na roupa que vestirá, mesmo que antes ele te visse de pijama e com as olheiras dignas de uma cotovelada do Jon Jones. O lugar que ele tá, será, sempre, o seu lugar preferido pra estar. Você vai fazer joguinho como se tivesse esquecido de que “ser você mesmo” é a melhor maneira. Você vai se sentir com treze anos tentando descobrir as coisas que ele curte, sendo mais velha, ou não, e vai até fingir que não liga, enquanto se olha no espelho pra ver se a sua bunda é maior do que da menina que ele tava conversando ontem, oitocentas e cinquenta vezes. (E vai perguntar pras pessoas, também.) (Na minha época a gente colocaria música com indiretas ridículas, ou não tão ridículas assim, no nick do msn; mas, como os tempos mudaram), você vai postar no twitter e atualizar seu status no facebook pra ver se ele percebe. Vai entrar e sair do chat até ele te dar oi, e se não rolar você vai se descontrolar e mandar um “Oláá” com dois A porque um seria de menos e três fica muito “quero dar pra você”. (Quatro nem pensar porque já aumenta pra um “quero dar pra você, agora”.) E então vocês ficam juntos, sobrevivem à fase do “não vou mandar uma mensagem porque ele não mandou” ou então “espera uma horinha pra responder pra não parecer desesperada” e o que era um lance avança praquele comecinho de romance. Talvez agora ele não seja mais tão editado pelos seus olhos, mas claro, essa é a hora do seu coração e é aí que mora o perigo. As coisas que ele disser vão ser as melhores, as músicas que ele escrever vão ser sensacionais, a roupa que ele vestir vai estar perfeita pra qualquer ocasião… Ah, o começo! O começo dá aquela sensação de tampa da panela, metade da laranja, sapato velho pro pé cansado, alma gêmea… “Ai, somos tãããão parecidos!” E o namoro é uma utopia deliciosa, mesmo, até a razão voltar a te pertencer. De repente ele não te buscou no horário combinado e colocou aquela calça que você odeia. Ele quer ouvir a bandinha que tá na moda entre os descolados e você… Bom, você não. Talvez ele tenha mania de organização e você seja a bagunça personificada. E pode ser que você seja super ligada praquilo que ele não encana e desencanada pro que ele liga, vai saber. Vocês vão se desencontrar e alguém vai levantar a voz. Você vai deixar escapar uma opinião bem feia e egoísta sobre a vida dele. Ele sobre a sua. Vocês vão dormir na mesma cama estando em mundos diferentes e estar em mundos diferentes querendo voltar pra mesma cama. Relacionamento é uma loucura, na real, porque esqueceram de contar pra gente que a família dele é diferente da nossa e que os hábitos lá podem ser muito distantes, distantes, ou – com muita sorte – próximos dos daqui. Esqueceram de contar que cada personalidade é única, mas que ela vira composta, quando a coisa fica séria, com alguém. Daí você senta na cama e pensa que é sexta, ele tá trabalhando, e suas amigas solteiras estão indo pra sabeláonde, com o cara da faculdade que tem tudo a ver com você. E os amigos dele tão comentado sobre gostosa que é nova na roda e que ele não vai poder pegar porque… Porque ele tem você, mas você tava chata pa-ra-ca-ra-lho naquele dia e… É, aí fodeu. Fui num casamento esses dias e levantaram aquela questão do “É melhor ser feliz do que ter razão”, de novo, mas que pela primeira vez me fez pensar em alguma coisa: “Chegamos no amor”. Na verdade tudo antes disso era paixão, fogo de palha. A gente sabe que é amor quando se liga na essência. É que por mais louco que pareça, o amor que eu sinto por ele tem a mesma essência do amor fraternal que eu sinto pela minha irmã, por exemplo, que vira uma mistura maluca quando o sexo é adicionado. E o ciuminho. E o medinho de perder. E a saudade. E… Sabe aquela coisa de: “Cê tá insuportável hoje, mas eu não vivo sem isso”? Então. Relacionamento é o que faz, com respeito, essa troca da sua loucura com a loucura do outro. É saber que tá tudo uma bosta mas que o colo dele faz ficar tudo bem. É poder contar aquela coisa horrível sobre você e saber que ele não vai te julgar porque todo mundo é cheio de coisas horríveis por aí, inclusive ele. Se relacionar é fechar uma porta pra abrir uma janela, sabendo que o sol vai entrar por ali e deixar tudo iluminado, pra dar lugar à lua, e só. Então, amor é quando a gente percebe que aquela super discussão que tava martelando na sua cabeça, nem era tão necessária assim… E como o dia poderia ter sido mais leve sem ela, né? Amor é respeitar o dia péssimo do outro, deixando de falar sobre o seu tão péssimo quanto… Amor é sentar e conversar pra achar uma solução. É um momento são (ou nem tão são assim…) Amor é perceber que o que ele tem de mais, preenche o que você tem de menos. Amor é acordar com medo no meio da noite e se sentir segura ao vê-lo. Amor é o grito veemente de que nos amamos nas nossas qualidades e respeitamos o que é defeito. É viver sambando desengonçado até entrar no ritmo, dar e receber, calar um grito com um beijo. É amar a versão não editada do outro. Sem cortes e sem censura. Muito sexo, muita compreensão e muita loucura.
Larissa Barone

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